FONTE: G1
"Uma liminar da Justiça de Passo Fundo (RS) determinou a proibição da comercialização de andadores infantis em todo o país. Na decisão, a juíza Lizandra Cericato Villarroel destaca que nenhuma das marcas comercializadas estão dentro das normas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e que "a natureza do produto se destina a bebês e crianças na fase de aprendizagem do ato de caminhar, portanto, em situação biológica de vulnerabilidade potencializada".
A proibição do RS atende a uma solicitação de ação civil pública da Associação Carazinhense de Defesa do Consumidor, por solicitação do pediatra Rui Locatelli Wolf, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). No início do ano, uma campanha iniciada pela SBP foi lançada para coibir no país o uso do andador de bebês, com o objetivo de aumentar a proteção de crianças contra acidentes que, segundo os pediatras, podem ser ocasionados pelo uso do equipamento.
O produto, que segundo os fabricantes proporciona "liberdade" a bebês com idade entre 6 e 15 meses, que ainda não andam sozinhos, é considerado "perigoso" por especialistas. Eles alertam para o risco de acidentes e traumatismos decorrentes da queda de crianças em escadas, ou mesmo queimaduras, já que dentro deles os bebês podem encostar em superfícies quentes.
Segundo o pediatra Danilo Blank, membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SBP, o andador também pode retardar a atividade muscular da criança, "que fica pendurada, sem mexer a perna ou as articulações". "É um instrumento que não tem benefício e oferece risco grave de traumatismo", explicou o médico.
Em julho, o Inmetro avaliou dez marcas de andadores disponíveis no mercado. Todas foram reprovadas pelo órgão. Em agosto, o Inmetro anunciou que vai fazer uma certificação compulsória dos equipamentos. Segundo o órgão, de todos os relatos feitos sobre a categoria de "produtos infantis", 9,3% são relacionados a andadores."
O uso dos andadores não traz nenhuma contribuição ao desenvolvimento da criança, pelo contrário, além do risco de acidentes a criança que faz o uso do andador aprende um padrão de marcha totalmente inadequado, podendo prejudicar o seu desenvolvimento.
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| Imagem Fonte: Portal da Fisioterapia |
Vários estudos científicos tem alertado sobre os riscos do uso do andador nos últimos 30 anos, sendo que a comercialização desse tipo de produto já foi proibido em vários países, como o Canadá.
Abaixo colocarei alguns exemplos desses estudos com os principais resultados encontrados. Caso queiram os artigos, podem entrar em contato comigo pelos comentários.
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| "Uso do andador, lesões e desenvolvimento motor" |
No artigo acima, de 185 crianças avaliadas, 90% usaram o andador regularmente, sendo que dessas cerca de 12,5% tiveram uma ou mais lesões, como hematomas e edema na cabeça, testa, rosto e buchechas. Entre as crianças que usaram o andador 10,8% apresentaram atraso no seu desenvolvimento, e entre as que não usaram o andador, nenhuma apresentou atraso.
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| "Uso do andador em crianças Iranianas" |
O andador foi utilizado por 54,5% de 414 crianças. 78,6% das crianças que utilizaram o andador estavam andando aos 12 meses. Por outro lado, entre as crianças que não usaram o andador, 85% estavam andando aos 12 meses de idade, o que desmitifica a crença que alguns pais têm de que o andador permite que a criança consiga caminhar mais cedo. Além disso, cerca de 15% das crianças tiveram pequenas lesões associadas ao uso do andador.
Esses são só alguns exemplos de artigos científicos que falam sobre a utilização dos andadores. Todos os artigos são unânimes em afirmar que o uso de andadores deve ser desincentivado e, de preferência, até mesmo proibidos.



